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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido de liminar em habeas corpus que buscava a libertação de dois dos instrutores de rope jump presos preventivamente pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A decisão do desembargador Sérgio Mazina Martins mantém detidos Maicon Fernandes Cintra e Luís Felipe Feliciano Egoroff, que haviam sido transferidos do interior para a Grande São Paulo por questões de segurança.
Ao indeferir o pedido da defesa, o magistrado destacou que a prisão preventiva — determinada inicialmente pela Justiça de Limeira — fundamentou-se em fatores de risco apontados pela Polícia Civil logo após o acidente. Entre os indícios citados na investigação estão uma suposta tentativa de fuga dos suspeitos do local do evento, a troca de roupas por parte dos investigados e o desaparecimento de equipamentos que poderiam registrar o ocorrido. Conforme o boletim de ocorrência, Maria Eduarda portava uma câmera do modelo GoPro no momento do salto, mas o equipamento não foi localizado após a queda.
O desembargador argumentou que a apuração ainda está em fase inicial, dependendo da conclusão de laudos técnicos para definir com exatidão como cada instrutor agiu no momento da queda livre da jovem, o que torna precoce qualquer concessão de liberdade.
Antes de terem o pedido de liberdade negado pelo tribunal, Maicon Fernandes, Luís Felipe e o terceiro instrutor envolvido, Vitor de Freitas Gonçalves, foram transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) "Nelson Furlan", em Piracicaba, para o CDP II de Guarulhos.
De acordo com o advogado do trio, Rafael Gomes dos Santos, a transferência ocorreu na tarde da última terça-feira devido a riscos iminentes à integridade física dos clientes. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirmou a movimentação carcerária, classificando-a como uma medida por “questões administrativas”.
O caso ocorreu no último sábado, quando a jovem moradora de Jandira (SP), graduada em Educação Física, caiu de uma altura estimada entre 30 e 40 metros na estrutura desativada conhecida como "Ponte do Esqueleto", situada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis. Vídeos entregues por testemunhas mostram o momento em que a vítima realiza o primeiro salto do dia na modalidade "aviãozinho", na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores. Segundo a investigação da Delegacia Seccional de Limeira, ela foi jogada em queda livre sem qualquer conexão com o sistema de cordas de segurança.
Os três responsáveis foram autuados por homicídio com dolo eventual, modalidade em que se assume o risco de causar a morte. Diante da repercussão do caso, o governo federal, proprietário legal da área, iniciou ações conjuntas com as prefeituras locais para bloquear de forma emergencial os acessos irregulares ao viaduto e avaliar a demolição definitiva da estrutura desativada.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metrpolitana