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ASFALTO VIOLENTO: A URGÊNCIA DA RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA E A PRIORIDADE À VIDA NAS RODOVIAS DA NOSSA REGIÃO

Publicada em: 23/05/2026 18:44 -

 

Foto: Maycon Sachi

O trânsito na região de Piracicaba voltou a mostrar sua face mais cruel em um intervalo de apenas 15 horas. Dois acidentes distintos na Rodovia Cornélio Pires (SP-127), no trecho entre Piracicaba e Saltinho, resultaram na perda de duas vidas e deixaram outras duas pessoas feridas. Os episódios — o atropelamento de um idoso de 62 anos por uma motocicleta na manhã de sexta-feira (22) e a colisão de um caminhão contra um barranco que vitimou um passageiro de 72 anos na tarde de quinta-feira (21) — não são meras estatísticas de jornais. São alertas urgentes e dolorosos sobre a urgência de repensarmos a segurança nas nossas estradas.

No primeiro caso, a colisão do caminhão expôs a vulnerabilidade daqueles que viajam a trabalho ou como passageiros em veículos pesados. O motorista sobreviveu com traumatismo cranioencefálico, mas o idoso que o acompanhava não resistiu ao impacto violento contra o barranco. Já no segundo cenário, a tragédia tocou diretamente o elo mais frágil e desprotegido da mobilidade: o pedestre. Um homem que tentava atravessar a pista foi atingido por uma moto; ele morreu na hora e o motociclista foi internado em estado grave na Santa Casa.

Essas ocorrências nos obrigam, como sociedade, a refletir sobre o papel e a responsabilidade de cada ator que compõe o ecossistema do trânsito. A segurança viária é uma construção coletiva. As concessionárias que administram as vias precisam garantir estruturas adequadas, boa iluminação e passarelas acessíveis; os motoristas e motociclistas devem praticar a direção defensiva, respeitando limites de velocidade e mantendo a atenção plena; e os pedestres necessitam utilizar os dispositivos de travessia segura sempre que disponíveis.

No entanto, dentro dessa divisão de deveres, precisamos ser honestos: a balança da responsabilidade não pode ser simétrica. O próprio Código de Trânsito Brasileiro é claro ao estabelecer que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, todos devem zelar pela integridade do pedestre.

O pedestre é o elemento mais vulnerável da engrenagem rodoviária. Enquanto quem está em um caminhão ou em uma moto possui blindagem metálica ou equipamentos de proteção para absorver parte de um impacto, o pedestre conta apenas com o próprio corpo. Diante da velocidade regulamentar de uma rodovia, qualquer choque contra uma pessoa é potencialmente fatal. Não há margem para erro.

Portanto, ainda que as causas exatas de ambos os acidentes sigam sob investigação das autoridades, a filosofia que deve guiar quem senta atrás de um volante ou de um guidão na nossa região é a de que a vida humana está infinitamente acima da pressa ou da fluidez do tráfego. Reduzir a velocidade ao avistar movimento às margens da pista, principalmente em trechos que cortam perímetros urbanos, é uma postura moral obrigatória. Cuidar de quem caminha não é apenas cumprir uma lei de trânsito, é o princípio básico de cidadania e empatia que falta para humanizarmos nossas rodovias.

Por Danilo Telles

CEO e Diretor-Presidente do Grupo Metropolitana de Comunicação

 

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