Foto: Maycon Sacchi
Na última sexta-feira, 14 de março, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) não foi apenas o palco de uma sessão solene; ela se tornou o epicentro do reconhecimento da nossa identidade mais profunda.
Como diretor do Grupo Metropolitana de Comunicação, acompanho diariamente o pulsar de Piracicaba, mas confesso que há momentos em que a história se escreve com tintas mais vivas. A entrega do Prêmio Inezita Barroso ao nosso mestre Cecílio Elias Neto foi um desses momentos.
A indicação, feita com extrema sensibilidade pela deputada estadual Professora Bebel, faz justiça a um homem que é, em si, um arquivo vivo do interior paulista. Cecílio não é apenas um jornalista, advogado ou escritor; ele é o guardião da nossa "verva".
Ao longo de décadas, Cecílio Elias Neto dedicou-se a decifrar a alma caipira.
Sua obra monumental, o "Dicionário do Dialeto Caipiracicabano – Arco, Tarco, Verva", vai muito além de um glossário linguístico. É um tratado antropológico que valida o nosso modo de falar, de ser e de sentir.
Como bem destacou a deputada Bebel durante a cerimônia no Plenário Juscelino Kubitschek, Cecílio produz um patrimônio imaterial que nos permite compreender as bases da musicalidade do sertanejo raiz e do cururu.
O que vimos na ALESP foi a celebração da resistência cultural. Em um mundo cada vez mais globalizado e homogêneo, a voz de Cecílio, aos seus 86 anos, ecoou lembrando-nos de que "somos a raiz do Estado de São Paulo". Ele nos recorda que o ser caipira é uma herança nobre, que funde a ancestralidade indígena com a força do interior.
A solenidade, abrilhantada pela presença icônica de Moacir Franco, foi um lembrete da riqueza que o interior produz e exporta.
Ver Cecílio emocionado ao relembrar seu encontro com a própria Inezita Barroso no Engenho Central nos faz entender que a cultura é um ciclo contínuo de inspiração e reverência.
Ao lado de outros grandes nomes homenageados — como a Orquestra Cordas Caipiras, Tião da Viola e tantos outros talentos indicados por diversos parlamentares — Cecílio Elias Neto representou o coração de Piracicaba.
Sua caravana de amigos e familiares que cruzou a rodovia para prestigiá-lo levou consigo o orgulho de uma cidade inteira.
Para nós, do Grupo Metropolitana de Comunicação, é uma honra noticiar e celebrar trajetórias como a de Cecílio. Nosso papel, enquanto veículos de comunicação, é garantir que o trabalho de preservação da memória não se perca no tempo.
Parabenizo a Professora Bebel pela iniciativa de elevar o nome de Cecílio Elias Neto ao patamar que ele merece. E, acima de tudo, agradeço ao mestre Cecílio. Por causa de sua escrita e de sua luta, o "caipiracicabano" não é apenas um jeito de falar, mas um orgulho de existir.
Viva a cultura caipira. Viva Cecílio Elias Neto.
Por Danilo Telles
CEO e Diretor do Grupo Metropolitana de Comunicação