Foto: Lívia Castilho/MTV
O líder político apresentou propostas que vão desde uma ofensiva direta contra o crime organizado até reformas no sistema político e redução da burocracia estatal para estimular o crescimento econômico.
O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, afirmou que pretende promover mudanças profundas na estrutura política, econômica e institucional do Brasil caso seja eleito em 2026. Durante entrevista concedida ao programa “Entre Aspas – Especial Eleições 2026”, apresentado pelo jornalista e cientista político Ronaldo Castilho, pela TV Metropolitana de Piracicaba com apoio da A Tribuna Piracicabana, o líder político apresentou propostas que vão desde uma ofensiva direta contra o crime organizado até reformas no sistema político e redução da burocracia estatal para estimular o crescimento econômico.
Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e atual presidente nacional do Partido Missão, Renan explicou que a criação da nova sigla representa um passo além da atuação do movimento político. Segundo ele, a nova estrutura partidária exige mais responsabilidade e organização para disputar o poder e governar. “Um líder partidário é um líder que vai governar pessoas, inclusive governar adversários políticos. A responsabilidade aumenta muito”, afirmou.
Para o pré-candidato, a maioria das legendas brasileiras funciona apenas como estruturas eleitorais sem identidade ideológica clara. Ele afirma que o Partido Missão pretende se diferenciar com um programa político definido e disciplina partidária. “A maior parte dos partidos são apenas cartórios eleitorais. Nós queremos ser um partido de verdade, com programa e direção clara”, declarou.
Entre os pilares do projeto político apresentado está a defesa de uma renovação geracional na política brasileira. Renan argumenta que as gerações mais jovens ainda têm pouca influência nas estruturas de poder do país. “Quem administra o Brasil é sempre alguém muito velho. As novas gerações praticamente não têm espaço real de poder”, disse.
Uma das bases programáticas do partido é o chamado “Livro Amarelo”, conjunto de propostas que pretende apresentar soluções para problemas históricos do Brasil e estabelecer metas de desenvolvimento até 2030. Segundo Renan, o documento busca apresentar ideias inovadoras para modernizar o país. “É a primeira vez que se tenta propor soluções novas para problemas antigos do Brasil. Não é uma solução de direita ou de esquerda, é uma solução para o Brasil”, afirmou.
Na área econômica, Renan defende uma redução significativa da burocracia e da intervenção do Estado na atividade empresarial. Ele afirma que o excesso de regras prejudica a competitividade do país e dificulta a vida de empreendedores. “Hoje o Estado interfere em praticamente tudo o que você faz para administrar sua vida econômica. Precisamos simplificar e tornar o ambiente de negócios muito menos burocrático”, explicou.
A política fiscal também aparece como um ponto central de sua plataforma. Renan afirma que é possível reduzir impostos sem comprometer programas sociais, desde que o governo corte gastos considerados ineficientes. “Nós gastamos muito mal o dinheiro público. É possível cortar desperdícios e manter as políticas sociais importantes”, declarou.
Na área de segurança pública, o discurso é ainda mais enfático. O pré-candidato defende uma política de enfrentamento direto às facções criminosas. Segundo ele, o país precisa endurecer a legislação penal e atuar de forma mais firme contra o crime organizado. “O Brasil precisa declarar guerra ao crime organizado. Tomar os territórios controlados pelas facções, desmontar suas estruturas financeiras e prender suas lideranças”, afirmou.
Renan também defendeu penas mais duras para diversos tipos de crimes e mudanças profundas no Código Penal e na Lei de Execuções Penais. Para ele, a sensação de impunidade é um dos principais fatores que alimentam a criminalidade no país. “O Brasil pune pouco e pune mal. Quando o criminoso sabe que a punição será dura, o comportamento muda”, disse.
No campo institucional, Renan apresentou propostas para reformar o sistema político brasileiro. Entre elas está a substituição do atual modelo proporcional de eleição para deputados por um sistema distrital misto. Segundo ele, a mudança poderia melhorar a qualidade da representação política e reduzir distorções eleitorais.
Outra proposta envolve mudanças no financiamento dos partidos. O pré-candidato defende que o acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral esteja relacionado ao desempenho das administrações municipais ligadas às legendas. A ideia seria estabelecer critérios objetivos de avaliação baseados em indicadores como segurança, saneamento, saúde e desenvolvimento econômico.
Renan também criticou a concentração de poderes no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a Constituição brasileira atribuiu ao tribunal responsabilidades excessivas, o que ampliou sua influência política. “A Constituição colocou praticamente tudo como matéria constitucional. Isso deu ao STF um poder enorme sobre a política”, avaliou.
No cenário internacional, o pré-candidato afirmou que o Brasil precisa priorizar a resolução de problemas internos antes de buscar protagonismo em debates geopolíticos globais. “O Brasil hoje é um país fraco. Antes de opinar sobre conflitos internacionais, precisamos resolver nossa segurança interna e nossa competitividade econômica”, afirmou.
Renan também comentou o cenário político nacional e a polarização entre os principais grupos partidários. Na sua avaliação, tanto os governos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiram caminhos semelhantes na condução do país. “São governos de centro que acabaram produzindo resultados ruins para o Brasil”, disse.
Ao falar sobre uma eventual vitória nas eleições presidenciais, o pré-candidato afirmou que sua primeira grande medida seria decretar estado de defesa para permitir ações mais incisivas do Estado em áreas dominadas pelo crime organizado. “No primeiro dia de governo precisamos iniciar uma ofensiva para recuperar territórios dominados pelo crime”, afirmou.
Com um discurso focado em segurança, reforma política e modernização econômica, Renan Santos busca consolidar sua pré-candidatura como alternativa fora da polarização tradicional. Segundo ele, o objetivo do Partido Missão não é apenas participar do processo eleitoral, mas disputar efetivamente o comando do país e implementar um novo modelo de gestão pública.
Texto: Ronaldo Castilho/Jornalista
Publicado por Danilo Telles/Grupo Metropolitana