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O TERREMOTO MASTER: ENTRE A OCULTAÇÃO BILIONÁRIA E A RESISTÊNCIA EM BRASÍLIA

Publicada em: 05/03/2026 06:16 -

 

Foto: Maycon Sacchi

O cenário político e financeiro do Brasil enfrenta uma de suas maiores tensões recentes. O caso envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, deixou de ser apenas uma questão de liquidação bancária para se transformar em um campo de batalha de influências que atinge o coração do Congresso Nacional e do Judiciário.

 

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, não mediu palavras ao descrever o potencial destrutivo de uma eventual CPI do Master. Segundo o dirigente, a investigação é temida por "meio mundo" devido à capilaridade dos negócios da instituição, que envolvem desde prefeituras a governos estaduais na compra de títulos e ações.

 

A resistência para a abertura da comissão, personificada por figuras como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sugere que o esquema pode "virar o mundo de ponta-cabeça". Costa Neto afirma que prefeitos relataram pressões para investir no banco, o que explicaria o esforço coordenado para barrar os requerimentos que miram, inclusive, familiares de ministros do STF.

 

Enquanto a política ferve, a Polícia Federal (PF) apresenta dados alarmantes sobre a conduta de Daniel Vorcaro. Mesmo após ser solto no final de 2025, o banqueiro teria ocultado R$ 2,2 bilhões em uma conta em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

 

A gravidade do fato reside no contraste ético e financeiro: enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) "sangrava" para cobrir um rombo de quase R$ 40 bilhões deixado pelo banco, Vorcaro supostamente protegia seu patrimônio pessoal através de empresas e contas de terceiros. A PF aponta riscos elevados de fuga, citando o uso de jatos privados e ativos em paraísos fiscais.

 

As investigações da Operação Compliance Zero revelaram métodos que ultrapassam os crimes financeiros comuns. A existência de uma milícia privada apelidada de “A Turma” era utilizada para, intimidação de autoridades e jornalistas, acessos indevidos aos sistemas da PF, Interpol e FBI.

 

Mensagens interceptadas mostram Vorcaro ordenando agressões físicas contra jornalistas que noticiavam fatos contrários aos seus interesses.

 

Mais grave ainda é a suspeita de infiltração no Banco Central. Servidores de alto escalão teriam atuado como "consultores informais", recebendo até R$ 1 milhão mensais para antecipar movimentos de fiscalização e revisar documentos antes de serem enviados ao órgão regulador.

 

Com as eleições de 2026 no horizonte, o "Caso Master" torna-se uma variável decisiva. Valdemar Costa Neto reconhece que o escândalo pode alterar o tabuleiro eleitoral.

 

Curiosamente, o dirigente minimiza as doações feitas pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, a nomes como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, classificando-as como transparentes.

 

A liquidação do Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno não foi apenas um ajuste de mercado por insolvência. Foi o desmoronamento de uma estrutura que, segundo os investigadores, operava à margem da lei com a conivência de setores do Estado.

 

Se a CPI for instaurada, como defende a bancada do PL, o Brasil poderá testemunhar uma paralisia institucional sem precedentes. O embate agora é entre a transparência investigativa e o instinto de sobrevivência de uma elite política e financeira que parece ter se emanharado nos mesmos títulos podres do Master.

 

Por Danilo Telles

 

Diretor e CEO do Grupo Metropolitana de Piracicaba

 

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