Foto: Assessoria Parlamentar
PMs que atuam em escola cívico-militar cometeram erros de português e vídeo que expõe a situação viralizou na internet.
A primeira presidenta interina da Apeoesp, a deputada estadual Professora Bebel (PT) destacou vídeo que viralizou nas redes sociais em que um policial militar que atua como monitor em uma escola estadual cívico-militar em Caçapava, no interior de São Paulo, cometeu erros de ortografia ao escrever comandos militares na lousa durante atividade com estudantes no início do ano letivo. Em suas redes sociais, Bebel, escreveu: “alertamos muitas vezes e continuamos alertando: escolas cívico-militares destroem a educação. Militar não é professor. Quem ensina são os professores. Vejam só que tragédia. No primeiro dia de aula de escola cívico-militar em Caçapava, militares escrevem na lousa "descançar" e "continêcia". Vamos combater até o fim esse projeto criminoso de Tarcísio de Freitas. Não à militarização das escolas!”
O episódio ocorreu na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra e foi registrado pela equipe de TV Vanguarda, afiliada da Globo, que acompanhava a implantação do modelo na unidade. De acordo com as imagens, dois agentes orientavam os alunos sobre movimentos típicos de ordem unida — conjunto de comandos associados à disciplina militar, como “sentido”, “descansar” e “continência”. O vídeo mostra que enquanto um dos monitores explicava os exercícios, o outro foi ao quadro para escrever os nomes dos comandos e grafou as palavras “descançar” e “continêcia”. Após ser alertado, ele corrigiu primeiro a grafia de “descansar” e, depois, a de “continência”.
O flagrante gerou repercussão por ocorrer no primeiro dia de funcionamento do modelo cívico-militar na escola. Os policiais que aparecem nas imagens participam do programa como monitores, função voltada a atividades de disciplina, orientação e formação cívica, enquanto o conteúdo pedagógico permanece sob responsabilidade dos professores da rede estadual.
O programa cívico-militar é defendido pelo governo paulista como estratégia para melhorar o ambiente escolar e o desempenho dos alunos, o que é condenado pela Apeoesp, pela deputada estadual Professora Bebel e por especialistas, que questionam a eficácia da militarização como política educacional e apontam a falta de evidências sobre impactos positivos no aprendizado. “Para melhorar a educação pública no Estado de São Paulo é necessário que o governador Tarcísio de Freitas valorize os professores, melhore a infraestrutura das escolas e cumpra o piso nacional do magistério, que o presidente Lula elevou para R$ 5.130,63, que deve ser o valor pago no início da carreira do magistério e não ser o teto. Não é com militares da reserva nas escolas, ganhando mais do que os professores, que vai ser garantida a educação pública de qualidade que tanto defendemos”, completa Bebel.
Texto: Vanderlei Zampaulo/Jornalista
Publicado por Danilo Telles/Grupo Metropolitana