Foto: Câmara Municipal
O vereador Raul Adiu Alves Miranda (PRD), de 47 anos, foi solto em audiência de custódia neste sábado (31), um dia após ser preso em flagrante em Apiaí, no interior de São Paulo. A soltura foi confirmada pela defesa do parlamentar, que é investigado pela Polícia Civil por suposto armazenamento e troca de imagens íntimas com ao menos três adolescentes.
A investigação, que tramita pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, aponta que o parlamentar mantinha vínculos com menores de idade, com indícios de mensagens de cunho sexual e fornecimento de anabolizantes. Durante o cumprimento de mandados de busca, os agentes apreenderam celulares, notebooks e dispositivos de armazenamento. Segundo o boletim de ocorrência, imagens de conteúdo íntimo foram localizadas no aparelho telefônico do investigado após ele fornecer a senha aos policiais.
Além das acusações relacionadas ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Raul, que é farmacêutico e proprietário de uma farmácia, também é investigado por vender medicamentos controlados sem receita. No estabelecimento comercial do parlamentar, a polícia localizou substâncias de tarja preta, vermelha e anabolizantes sem documentação que comprovasse a autorização para a venda. O vereador afirmou aos agentes que os itens eram amostras grátis.
Em nota, o advogado Alexander Neves Lopes sustentou a ilegalidade da prisão, argumentando que não houve armazenamento de conteúdo que caracterize pornografia infantil nos termos do artigo 241-B do ECA. A defesa afirmou que os fatos serão esclarecidos no curso do processo e que o parlamentar nega ter cometido qualquer irregularidade ou possuído o dolo (intenção) necessário para a configuração do crime.
A Câmara Municipal de Apiaí também se manifestou por meio de nota assinada pelo presidente Ricardo Dias. O Legislativo informou que os fatos são de natureza externa às atividades institucionais da Casa e que aguardará o desfecho das investigações oficiais para avaliar possíveis medidas administrativas. A Câmara reiterou seu compromisso com a ética e a legalidade, ressaltando a necessidade de respeitar o devido processo legal antes de qualquer julgamento precipitado.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana