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A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado apresentam direções opostas nos investimentos em Segurança Pública para o orçamento de 2026. Enquanto a gestão de Ricardo Nunes (MDB) elevou o repasse para a área em 26%, saltando de R$ 1,45 bilhão para R$ 1,83 bilhão, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) prevê um acréscimo de apenas 3,6% para a pasta estadual.
Os dados, analisados pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), revelam que a Polícia Civil terá a menor fatia do incremento estadual, com alta de 2,9%. Na prática, a categoria alerta que o reajuste é inferior à inflação do período. Além disso, as verbas destinadas especificamente ao combate ao crime organizado no estado sofreram um corte de mais de 50%, caindo de R$ 666,4 milhões para R$ 325,8 milhões.
A presidente do Sindpesp, Jacqueline Valadares, critica a política estadual e afirma que o governo mantém o "sucateamento" da Polícia Civil. Segundo a entidade, o programa de formação de novos policiais também teve a verba reduzida em 42,8%. "Segurança Pública é dever do Estado, mas diante da inércia na estruturação das forças policiais, as Prefeituras estão tendo que fortalecer suas guardas municipais", pontuou a delegada.
Outro ponto de desgaste é a questão salarial. O sindicato afirma que, embora São Paulo seja o estado mais rico do país, a remuneração dos policiais paulistas ocupa a 24ª posição entre as 27 unidades da federação. A categoria cobra o cumprimento de promessas de campanha feitas em 2022 e aponta um déficit de mais de 14 mil agentes no quadro de recursos humanos.
Em contrapartida, o investimento recorde na capital paulista deve ser direcionado à expansão do programa de monitoramento Smart Sampa e ao aumento do efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM). Com R$ 1,83 bilhão garantidos, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana pretende intensificar o patrulhamento comunitário e o uso de tecnologia de inteligência na cidade.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana